Johnny & June - Biografia Cinematográfica

Acompanhamos a vida de Johnny Cash enquanto ele arrasta a carreira musical com exaustivas turnês e se afunda na dependência química.

Johnny & June - Biografia Cinematográfica

Em “Johnny & June“, acompanhamos parte da vida de Johnny Cash, um dos músicos mais influentes do último século e que comumente é considerado uma lenda no cenário do Country e do Rock And Roll. Desde criança, a música desenvolveu importante papel em sua vida, ouvia o rádio com seu irmão e tinha como passatempo adivinhar o nome das canções. A morte trágica e inesperada de seu irmão, somado a raiva que seu pai sente por “Deus ter levado o filho bom”, acaba moldando a sua personalidade adulta. Acompanhamos a vida de Johnny Cash enquanto ele arrasta a carreira musical com exaustivas turnês e se afunda na dependência química.

A tentativa de vender o filme como um romance no território nacional acaba escondendo um possível potencial do filme. Não que o título original “Walk the Line” – fazendo referência a uma canção do músico – faça tanto sentido com a história de Cash, que ficou conhecido por ter uma personalidade inconstante, explosiva e até mesmo criminosa – nada haver com o “andar na linha”. O romance entre Johnny Cash e June Carter está lá, é claro, pois é um dos principais acontecimentos na vida do músico, mas não é o núcleo da trama.

Walk the Line segue a mesma linha de tantas outras biografias de músicos já trazidas para o cinema. Iniciando a trama na sua infância – apresentando traumas –, indo até a vida adulta – e problemática – e terminando com a superação e a estabilidade da vida pessoal e profissional. A comparação com “Ray” (filme lançado um ano antes) é quase inevitável, pois além da fórmula, os dois personagens carregam traumas e conflitos semelhantes.

O ponto forte da obra está em suas atuações. Joaquin Phoenix entrega um Johnny Cash assustadoramente crível, por vezes bobo e inocente com as suas relações interpessoais, mas caótico e agressivo quando drogado ou em abstinência. Reese Witherspoon brilha ao interpretar fielmente a queridinha do showbusiness, June Carter. Todas as suas vozes estão nas músicas e respeitam perfeitamente os cantores reais, incluindo outras interpretações menores de músicos famosos da época.

No fim das contas, esse acaba sendo um filme que não agrega nada novo em seu gênero, mas faz jus a vida do grande artista que ele aborda. Nas mãos de alguém mais ousado, poderia ser uma obra prima a ser cultuada, mas James Mangold apresenta uma direção contida e que parece receosa ao contar a história de uma figura importante. Talvez esse seja o maior problema das biografias de grandes ícones da cultura, o medo de retratar uma figura já estabelecida somado a segurança do retorno monetário e premiações. Talvez este gênero esteja fadado a não ter grande relevância cinematográfica.

O filme guarda como méritos as suas atuações e a vida relevante que seu personagem viveu.

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Bruno

Bruno Nascimento

Estudante de Publicidade e Propaganda; Redator e Fotógrafo em Dose Extra Multimídia; Escritor, Podcaster e Gladiador Dourado em Dose Extra Blog.

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